Comentários feitos por especialistas brasileiros da PMK Fundraising e Supporter's Club - www.pmk.com.br

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O Segredo da Mala Direta de Fundraising que conquista excelentes doações


Felizmente já estão diminuindo as profecias que decretavam o fim da mala direta a curto prazo, que seria "deglutida" pelo e-mail marketing, mídia ágil, barata, imediata, etc, etc, etc... mas virtual.

O mundo tornou-se virtual demais. 

E a Mala Direta - outrora tido como algo impessoal e considerado o "spam" do século passado, ganhou status quase de "gente". 

Ao contrário do que se previa, receber hoje uma Mala Direta (uma carta, dentro de um envelope, devidamente endereçado e com uma assinatura), é quase receber a visita pessoal do signatátio. Aquele mesmo que manda e-mails com assinaturas simulando caneta em papel (sic!) e impessoais.

Ou seja, as regras de Marketing Direto sobre como "construir" uma Mala Direta, como fazê-la efetiva, com resultados, estão mais atuais do que nunca. Com algumas pequenas modificações, mais cosméticas do que de conceito.

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Quantas vezes por ano podemos pedir doações aos nossos doadores atuais?


A maioria das organizações americanas trabalham com envio de 12 a 18 cartas de apelo por ano, além de 3-6 boletins informativos. Alguns fazem mais do que isso. 

No Brasil já conduzimos programas com até 24 pedidos por ano. E foi um sucesso.

Se você está se comunicando com os doadores muito menos do que isso, provavelmente não está maximizando sua captação de recursos. 

Não há nenhuma evidência de que mais contacto afasta os doadores. 

Na verdade, a baixa freqüência de captação de recursos faz com que não só diminua sua receita líquida no curto prazo, mas piora a retenção de doadores, o que comprometerá sua receita futura. 

Entretanto, mais importante do que a frequência com que você se comunica é a relevância de seus apelos. Se você é falar a língua dos seus doadores e dando-lhes várias vezes a oportunidade de "mudar o mundo" do jeito que eles acham importante fazer (e, em seguida, agradecendo-lhes bem), você pode manter uma freqüência muito alta de comunicação. 

Quando você erra nesse ponto, até um ou dois apelos por ano serão demasiados. 

Devemos, às vezes, enviar cartas e e-mails que não peçam nada? 

Raramente. 

O importante é ter um bom programa de gratidão. 

Saber agradecer suas doações, mostrando-lhes como eles fazem a diferença na sua obras. Os doadores gostam de doar! É por isso que devemos continuamente lhes dar essa oportunidade. 

E quando eles sentem que você agradece, essa vontade de colaborar aumenta.


Entrevista: Marketing Direto ao Coração

(Trechos da entrevista concedida à revista "Marketing Direto" 
da ABEMD - Associação Brasileira de Marketing Direto). 

As ferramentas do Marketing Direto, que ganham cada vez mais espaço nas estratégias de Marketing das corporações, também têm se mostrado de grande proveito para atrair recursos e voluntários para o Terceiro Setor. 

A clara adequação dessas ferramentas às ações de fundraising é o tema central desta entrevista com Odair Gutirres, um dos maiores especialistas brasileiros nesse segmento, que desde 1982 utiliza o arsenal do Marketing Direto para alavancar ações de grande impacto social. 

Presidente da PMK Involvement Marketing, com especialização em Marketing Social e Fund Raising político e filantrópico pela Advanced Direct Marketing School de Washington, Odair coordena inúmeros projetos de levantamento de fundos para entidades do Brasil e do exterior. 

Apesar do crescente uso das ferramentas do Marketing Direto no Terceiro Setor, Odair alerta que ainda há muito espaço para avançar nessa área, principalmente no preparo de profissionais brasileiros especializados em fazer a ponte entre o cidadão que quer contribuir e a entidade que precisa desse apoio para cumprir seus nobres objetivos. 

Revista Marketing Direto - Como vê o momento atual do Terceiro Setor e como o Marketing Direto pode ajudar? 

Odair Gutirres - Eu vejo de uma maneira muito positiva essa preocupação social que aos poucos vai atingindo todos os setores da sociedade, esse aumento da consciência de que é preciso "arregaçar as mangas" e cada um fazer a sua parte. E as ferramentas do Marketing Direto, embora tenham um papel ímpar quando falamos do levantamento de fundos para o Terceiro Setor, ou seja, fundraising, talvez sejam as mais adequadas para ampliar essa participação social, ou seja, você consegue atingir as capilaridades mais profundas da sociedade, motivando-as a participar, articulando-as a favor de uma causa ou de um projeto. E permite que as entidades filantrópicas contem com uma participação mais efetiva da própria sociedade, enquanto conjunto de pessoas físicas, e se desenvolvam independentemente de ajudas governamentais ou de patrocínios de grandes empresas. 

Revista Marketing Direto - O Marketing Direto é, então, eficaz no recrutamento de voluntariado? 

Odair Gutirres - Sem dúvida. E de um modo muito mais amplo e rápido do que o proselitismo tradicional, na base do corpo-a-corpo, pois o número daqueles que querem participar é muito maior do que aqueles que efetivamente podem e irão participar. Portanto, é preciso considerar uma outra categoria de voluntário que poderá ser recrutado: aquele que, não dispondo de tempo, participa doando recursos financeiros para uma instituição. Como descobrir esse voluntário que está disperso na sociedade? É aí que as ferramentas do Marketing Direto são de uma eficácia enorme. Especialmente detectando aqueles que poderão participar doando recursos financeiros. 

Revista Marketing Direto - Levantar fundos por Marketing Direto também funciona no Brasil? 

Odair Gutirres - Mas é claro! E funciona tão bem como em outros países. Digo mais: em matéria de retorno o Brasil não deve nada para qualquer país, incluindo os Estados Unidos e a Alemanha, que têm grande tradição em matéria de levantamento de fundos através das ferramentas do Marketing Direto. A generosidade do povo brasileiro é historicamente conhecida. O grande problema no Brasil é que poucos são os que pedem de forma sistemática e, sobretudo, pouquíssimos os que pedem adequadamente. 

Revista Marketing Direto - O que significa "pedir adequadamente"? 

Odair Gutirres - Pedir algo é sempre uma coisa muito delicada, às vezes constrangedora. Principalmente porque o pedido de doação não é uma transação comercial. A pessoa que doa não recebe nada de material em troca, nenhum produto ou serviço, como na transação comercial. Portanto, esse pedido tem que ser muito bem fundamentado, bem formulado. É muito grande o número de pessoas que querem doar para entidades filantrópicas, mas se isso não for muito bem trabalhado, ao invés de conseguir um aderente para sua causa, você conseguirá um inimigo. A fronteira entre a adesão e a rejeição é muito débil. 

Revista Marketing Direto - Isso significa que levantamento de fundos é um trabalho que deve seguir métodos e critérios profissionais? 

Odair Gutirres - A profissionalização dos serviços de levantamento de fundos deve ser vista com muita naturalidade. Toda instituição deveria ter em sua estrutura um especialista em captação de recursos, assim como uma empresa tem um departamento de marketing, ou departamento comercial. E esse profissional - esse especialista - deve ser bem pago, pois ele dará condições para que essa instituição obtenha um grande volume de recursos para investir na sua missão, funcionando a pleno vapor, sem as restrições orçamentárias de costume. Do mesmo modo, poderá ser altamente conveniente para essa instituição contratar uma agência especializada em Fundraising, que direcionará toda sua comunicação, orientará o programa de relacionamento e fidelização de seus doadores. O salto qualitativo, fruto dessa ação, compensará largamente os custos. 

Revista Marketing Direto - Existem profissionais de "fundraising" qualificados no mercado brasileiro? 

Odair Gutirres - Hoje mais do que ontem, e certamente menos do que amanhã... Com o tempo estão aparecendo, mas em número muito inferior às necessidades reais do Terceiro Setor. Alguns desses profissionais já foram absorvidos pelas grandes instituições que realizam um trabalho bem estruturado. Mas, se nós compararmos com os Estados Unidos e com alguns países da Europa, eu diria que temos um escasso número de profissionais qualificados, o que é lamentável, pois uma instituição sem dinheiro praticamente fica de mãos atadas para o cumprimento da sua missão. Mesmo aquela instituição que tenha um voluntariado muito grande pode ficar limitada sem recursos financeiros. 

Revista Marketing Direto - Quais são os maiores inimigos de uma instituição filantrópica na hora de implantar um serviço de levantamento de fundos que utilize ferramentas de Marketing Direto? 

Odair Gutirres - Eu diria que são dois os inimigos mais freqüentes, que costumam se apresentar no início: o ceticismo e, paradoxalmente, o otimismo. Muitas instituições acostumaram-se a viver na escassez de recursos, então têm uma certa dificuldade de acreditar no sucesso de um programa de captação de fundos através do Marketing Direto; algumas desenvolvem até um certo fascínio pelo pessimismo, e em geral demoram muito para aceitar a necessidade dessa implantação. Depois, quando fazem os primeiros testes, se surpreendem com os resultados e aí aparece o segundo inimigo: acham que descobriram o "pulo do gato", e se limitam a programas medíocres de levantamento de fundos, utilizando apenas algumas ferramentas, de forma rudimentar. 

Revista Marketing Direto - Quais as conseqüências dessas posturas? 

Odair Gutirres - Elas levam ao fracasso, a curto e médio prazo, com conseqüências catastróficas. Um programa consistente de arrecadação de fundos por Marketing Direto significa a utilização e combinação de toda a gama de recursos que as ferramentas nos oferecem. Ou seja, um programa bem estruturado de prospecção de novos doadores, um programa de relacionamento e fidelização dos doadores freqüentes, retenção, recuperação, enfim, todos os recursos que o Marketing Direto nos oferece. O resultado é que muitos, por não conhecerem essas técnicas, acabam desenvolvendo, inadvertidamente, uma espécie de programa de "canibalização" de sua lista de contribuintes, com ações agressivas ou pouco pertinentes, gerando até rejeição à sua instituição na sociedade. 

Revista Marketing Direto - Das ferramentas do Marketing Direto, quais são as mais adequadas para se levantar fundos? 

Odair Gutirres - É difícil generalizar e dizer que esta ou aquela ferramenta é a mais adequada. A mala direta, por exemplo, tem um efeito enorme, pois permite uma comunicação muito dirigida, personalizada, falando com seu eventual doador de uma forma clara: diz o que ele precisa fazer e porque precisa fazer. Além do mais, é muito difícil numa mensagem curta expor todas as necessidades que a instituição tem. Uma carta permite mensagens longas, com argumentações poderosas, consistentes, sem ser invasiva. A pessoa pode lê-la no momento mais propício, o que significará aumento das chances de resposta positiva. Nesse sentido poderá ser melhor que o telemarketing, onde o eventual doador é obrigado a tomar uma decisão imediata e, muitas vezes, à custa de certa pressão psicológica. Doar nessas condições pode não ser a forma ideal para se conquistar um doador fiel e freqüente. O e-mail também pode ser eficaz, mas ainda há muitas controvérsias sobre a eficácia dessa mídia, ao menos por enquanto.

Revista Marketing Direto - Mas a mala direta não seria para esse caso uma mídia cara? 

Odair Gutirres - Isso não seria assim se tivéssemos tarifas de correio específicas para o Terceiro Setor, como em alguns países. Acho que seria uma forma de participação muito grande dos Correios na área social. As atuais tarifas tornam inviáveis algumas operações de prospecção de novos doadores, deixando a instituição com uma margem de break-even muito apertada. Quando a mala direta é dirigida ao seu banco de dados de doadores habituais, o problema é muito diminuído, pois teremos um retorno de cinco a dez vezes superior às malas diretas enviadas para prospects. Fica aqui uma idéia: a criação de uma "tarifa terceiro setor". Seria uma grande ajuda, um aumento da participação dos Correios na área social e um estímulo para que as entidades utilizassem muito mais a ferramenta mala direta para pedir recursos. 

Revista Marketing Direto - E a Internet e o e-mail marketing?

Odair Gutirres - Poderão ser igualmente eficazes, além de significarem um custo muito mais baixo, com a vantagem da rapidez na resposta, podendo o futuro doador informar-se sobre a instituição, navegando pelo site, interagindo através da mesma mídia com a qual está sendo abordado, até chegar à doação. A desvantagem está mais no desconhecimento das técnicas adequadas para a comunicação via Internet - ao contrário da larga experiência e do domínio que se tem da comunicação via mala direta. Eu diria que isso ainda pertence ao futuro, embora um futuro muito próximo e promissor. 

Revista Marketing Direto - Qual tamanho ideal de uma instituição para utilizar o Marketing Direto? 

Odair Gutirres - Não existe tamanho ideal. As instituições de grande porte poderão evidentemente caminhar mais rápido, com mais capacidade para prospectar e, conseqüentemente, construir em curto prazo seu banco de dados de doadores. As pequenas poderão percorrer o caminho mais lentamente, mas ambas chegarão ao mesmo ponto, comunicando-se diretamente com seu fiel ou prospectivo doador e lhe dizer: "o meu problema é este, minhas necessidades prementes são estas, e você pode me ajudar desta e daquela maneira". Tudo dependerá da credibilidade do seu projeto, do seu pedido, de saber fazer o "marketing da verdade". Para se formar uma lista consistente de doadores leais, a verdade é fundamental, além de uma obrigação ética. 

Revista Marketing Direto - É caro implantar uma estrutura de levantamento de fundos por Marketing Direto? 

Odair Gutirres - É muito mais barato do que viver sem isso. Vale pensar no seguinte: qual é o produto que você "vende" quando envia uma mala direta ou faz um telefonema com um apelo de fundraising? Nenhum. Materialmente falando, nenhum. Você lhe expõe um projeto, uma necessidade, uma idéia, e ele o ajuda enviando dinheiro. Você não precisa administrar estoques, frota de entrega, emissão de notas fiscais, fulfillment, nada. Na realidade você lhe vende algo superior a qualquer bem material. Você vende a sensação de dever cumprido, a certeza de ter sido solidário, ou ainda, o alívio de consciência, porque todos sabem de suas obrigações sociais. Elas em geral são relegadas a um segundo plano, mas volta e meia o problema se põe: "será que eu não deveria ajudar alguém necessitado? Não seria um modo de eu agradecer por tudo o que recebo, tudo o que tenho? Mas como vou fazer isso?" Nessa hora chega uma mala direta, ou um telefonema, ou e-mail, que lhe dá a oportunidade de fazer esse bem, de se redimir dessa espécie de "sentimento de culpa". E de modo fácil, pois nessa comunicação virão todas as instruções para doar com comodidade e imediatamente. 

Revista Marketing Direto - A pessoa "compra" uma espécie de alívio psicológico... 

Odair Gutirres - Sem dúvida, mas eu diria que vai além de um mero alívio psicológico. Ela terá, na comodidade de sua casa ou de seu escritório, a oportunidade real de fazer algo que ela já queria fazer. Por não dispor de tempo para visitar orfanatos, hospitais, ou mesmo ter medo de baixar o vidro do carro para dar uma esmola e ser assaltada, muitos se sentem mal por isso. Então, não seria exagerado dizer que o Marketing Direto permite uma participação da sociedade de forma muito mais abrangente. Dando oportunidade a muitos de fazerem algo pelo próximo. 

Revista Marketing Direto - Como pode ser definido o "coração" dessa estrutura de Marketing Direto? 

Odair Gutirres - Sem dúvida, o coração é o banco de dados da instituição. Ele precisa ser estruturado dentro dos melhores conceitos de database marketing. Todas as doações devem ser registradas, igualmente todo o relacionamento com o doador, todas as dificuldades que ele apresentou para doar, as questões, objeções e dúvidas que tem a respeito da instituição. Tudo deve estar muito bem catalogado e em condições de ser analisado. É preciso saber identificar aqueles que doam com mais freqüência, aqueles que doam valores maiores, aqueles que preferem doar dinheiro e os que preferem doar outros bens. A escada de fidelidade é muito importante, é preciso saber em que degrau se encontra cada doador, quem são os mais engajados, que estão dispostos a donativos mais altos e mais freqüentes. Quem não conhece exatamente o perfil daqueles que colaboram com a sua instituição não terá condições de criar uma comunicação sob medida, e colocará na "vala comum" os doadores ótimos e os menos bons, quando não perderá muito dinheiro enviando correspondência a quem não está mais interessado em doar. 

Revista Marketing Direto - Quais seriam alguns dos ingredientes de um bom programa de Marketing Direto para uma instituição do Terceiro Setor?

Odair Gutirres - Eu diria que é aquele que tenha antes de tudo um bom planejamento, estabelecendo quotas mensais mínimas de investimento em prospecção de novos doadores e um programa muito sólido de relacionamento e fidelização, o que sempre significará uma entrada maior de recursos. Isso comporta uma comunicação freqüente com o doador, com "newsletters" periódicas, informando a ele o que foi feito com o dinheiro doado e quais são os novos projetos que estão nascendo. Tudo isso sustentado por um controle e uma análise contínua do banco de dados, ou CRM, como queiram chamar. Desta forma conheceremos o comportamento dos doadores, saberemos como abordá-los, qual a mídia adequada e qual o seu progresso em relação à instituição. E saberemos também ser justos e agradecer pelo que ele faz à nossa entidade.

Em Fundraising: S² = 0


Deve-se ser sútil na hora de fazer um pedido de doação? 

Aqui vale a mesma equação dada por Gordon Lewis em suas obras sobre comunicação direta: 

S² = 0 

Sutileza ao quadrado igual a zero. 

Não faça seus doadores adivinhar onde você quer chegar. 

Diga-lhe isso logo na primeira página. Se possível, no primeiro parágrafo de uma carta ou de um e-mail. Lembre-se que ele não está lhe dando toda atenção do mundo enquanto lê o seu texto. 

Você precisa perguntar claramente se ele vai doar, pedir repetidamente, pedir com confiança e paixão. 

Sua causa é muito importante e urgente para você ficar com sutilezas. Seja con-vin-cen-te. 

Ser sutil é o caminho rápido para o fracasso na angariação de doações.


A Internet é a sentença de morte para a Mala Direta de Fundraising?


Nem de longe. 

A Mala Direta continua sendo o meio mais eficaz de captação de recursos depois da cestinha passada durante as missas nas igrejas. 

E é muitas vezes mais eficaz do que um e-mail. 

Mas a forma como ela funciona está mudando. Cada vez mais a Mala Direta e a Internet estão se tornando interligados. Os doadores são movidos pelo calor e pelo toque pessoal da mala direta, em seguida pesquisam sobre sua entidade na Internet e muitas vezes doam através do site. 

Os valores médios de doações on-line costumam ser um pouco maiores que os da mala direta, mas a combinação dessas duas mídias gera maior frequência de doação e maior retenção. 

Tudo indica que esse comportamento está a caminho de se tornar a maneira típica de doação. Para ser eficaz, precisamos ter certeza de que nossa mala direta e nossa comunicação on-line são totalmente integrados: o mesmo visual, a mesma linguagem, as mesmas ofertas, os mesmos projetos. 

Uma vez me perguntaram: se o coração de mala direta é o fato de uma pessoa escrever para outra, oferecendo-lhe uma chance de mudar o mundo, por que tanta ênfase nas técnicas de criação e redação? 

Na verdade nós rotulamos como "técnicas" coisas que parecem desconhecidas para o comum das pessoas. Coisas como: sublinhado, parágrafos curtos, linguagem coloquial, e notas de margem manuscritas. Enfim, tudo aquilo que professores acadêmicos condenam e dizem que tornam a escrita superficial. 

Mas essas "técnicas" são apenas convenções que nos ajudam a conectar nossa instituição com os doadores. Tudo isso se aprendeu a partir de anos e anos de testes e experiência. Ninguém vai ser louco de ignorar esse conhecimento. 

Dito isto, uma ressalva: qualquer fundraiser que se concentra apenas na "técnica" e não sobre o aspecto mais importante de "uma pessoa escrevendo a outra pessoa" nunca vai realmente ter sucesso.


6 Coisas Sobre Mala Direta de Fundraising que Ninguém Fala a Respeito


RELAXE, sente-se em uma cadeira confortável e respire fundo. 

Esvazie sua mente de todas as idéias pré-concebidas. Respire fundo outra vez. Então responda as seis questões a seguir. 

1. Você realmente está dizendo a verdade em sua mala direta?

Realmente? Não seja defensivo. Releia seu texto cuidadosamente. Tenha certeza que você não está dizendo aos doadores novos e antigos que “de cada real enviado, 94 centavos serão usados para alimentar crianças” quando, na realidade, foi preciso muita criatividade (e ilegalidade) nas contas para chegar a esse número. 

Ainda pior, você ainda manda aquela velha mensagem com uma história dolorosamente datada? Tome cuidado. Tome muito cuidado. No fim das contas, a única coisa que temos no ramo da mala direta é nossa credibilidade. Tenha certeza que você não está arruinando-a com afirmações que não pode comprovar. 

2. Será que você não está afastando seus doadores com excesso de mala direta? 

Sim, eu sei perfeitamente que mala direta funciona melhor quando mantemos contato constante com o doador. Mas cada uma de suas cartas é um apelo "pesado"por doações? 

Você entra em contato – através de outros meios – com seus doadores, para saber se eles estão satisfeitos com o volume de cartas que recebem? 

Não muito tempo atrás, algumas agências que trabalhavam em conjunto com uma grande organização de escala internacional sem fins lucrativos, em um programa de levantamento de fundos por mala direta vencedor de múltiplos prêmios e que estava rendendo milhões anualmente, resolveram analisar essa questão. 

Resultado: nos testes realizados, quase todos os doadores da organização expressavam ódio a respeito desse programa. Não, não me refiro aquela raiva que as pessoas demonstram quando dizem que odeiam receber mala direta em casa, eu estou falando de ódio de verdade. 

Anos antes, eu tive contato com uma organização grande, americana, e que era conhecida por fazer apelos freqüentemente. Eu sugeri à organização que os resultados a longo prazo aumentariam se eles reduzissem a quantia de apelos enviada, e se ignorassem em seus envios as pessoas que raramente respondiam aos apelos. 

Entretanto, eles argumentaram que a experiência tinha mostrado que cada segmento para o qual tinham mandando a mala direta era rentável, nem que fosse só um pouquinho – e eles continuaram com essa prática. 

Eles jamais admitiriam que suas baixa taxas de renovação tinham algo a ver com esta prática. Mas tenho suspeitas de que o sucesso desse programa de doações se explicava devido à fortíssima ênfase na renovação de doações únicas em detrimento da construção de um relacionamento duradouro. 

3. Os dados sobre doadores no seu arquivo estão corretos? Tem certeza? 

Naturalmente, cada organização sem fins lucrativos se orgulha da qualidade de seus dados. No entanto, como é possível que tantas listas de doadores sejam tão pouco atualizadas? Não acredita em mim? 

Tente enviar uma mala direta de prospecção para a sua base de dados e veja a pilha de “cartas devolvidas” subir! 

Se sua lista de doadores for mesmo precisa, você é excepcional. 

Imprima sua lista e faça uma consulta rápida com os olhos: são grandes as chances de você encontrar o CEP faltando, cidades ou estados omitidos, nomes e endereços horrorosamente mal digitados, além de muitas duplicidades. 

Infelizmente, atualizar dados é um processo meio desprezado pelos programas de levantamento de fundos. A maioria das entidades busca gastar o mínimo possível nessa atividade. 

Na realidade, esse processo é o que há de mais importante numa mala direta, pelo menos na opinião de quem recebe os apelos. Se você escreve errado nomes e endereços, é quase certo que seu programa de levantamento de fundos irá sofrer. 

Um pequeno envolvimento extra para manter seus dados corretos e atualizados é útil a longo prazo. 

Lembre-se: apesar de todo o trabalho envolvido na criação, os elementos do envelope externo que mais chamam atenção são o nome e o endereço do destinatário. 

Muitos doadores em potencial automaticamente jogam no lixo uma mala direta com esses dados incorretos. 

4. Você envia agradecimentos em uma semana após uma doação ser feita? 

Agora, por favor, não me diga que você nunca envia agradecimentos, ou só envia para doações acima de R$1.000,00. 

Seu chefe executivo pode achar que agradecimento é algo opcional – mas seus doadores não. 

Se você não está enviando agradecimento para cada doação feita (exceto quando o doador escolhe não receber nada) você está cometendo um grande erro. 

Se seu agradecimento não for enviado em até uma semana após a doação, as chances da doação ser repetida caem muito. Na verdade, se você enviar o agradecimento no dia seguinte, muito melhor. 

Em grupos de teste, doadores revelaram ter ficado chateados por receberem o agradecimento muito tempo após a doação, ou pior, nem receberam. Por que isso ocorre? 

A triste verdade é que a maioria das entidades sem fins lucrativos faz um trabalho muito ruim para agradecer seus doadores. Nos EUA há um case de um doador anônimo, que, por alguns anos, enviou cheques de $20 ou $25 para 30 das maiores organizações de caridade e tomou nota das respostas: é raro receber um agradecimento dentro de uma semana. 

A maioria leva um mês ou dois para responder. Muitos nem respondem – exceto com apelos subsequentes. 

Então, se você está no comando de um programa de resposta e agradecimento muito eficiente, você tem uma vantagem competitiva que fará a diferença com uma maior taxa de renovação e maior lealdade. 

5. O seu package de mala direta é idêntico ao de todo mundo? 

Claro, a Mala Direta tem seus limites. Por exemplo, todos nós temos que usar envelopes, porque muitas pesquisas já mostraram que outros formatos não funcionam. 

Mas será que isto significa que toda carta de mala direta precisa mesmo ter um teaser? 

E isto significa que todo envelope tem que ser branco padrão? 

Não irei me aprofundar na questão do envelope. São os teasers que me incomodam. A única razão na qual consigo pensar para explicar por que teasers são universalmente usados é... bem, porque sempre foi assim. 

Todo mundo usa teasers – certo? Mas por quê? Teoricamente, claro, um teaser “ajuda um envelope a ser aberto”, o que impulsiona as doações. Mas será que essa teoria está correta? 

Em muitas ocasiões, meus colegas e eu testamos teaser contra sem teaser. Em apenas um único caso, o teaser se provou render mais resultados do que sem teaser. Em todos os outros casos, os sem teaser se saíram tão bem – ou até melhor – dos que os com teaser. 

6. Você está treinando seus doadores para receberem “brindes grátis” de você? 

Não é à toa que brindes são o pilar de qualquer programa de aquisição de doador. Brindes aumentam a resposta dos doadores. 

Algumas organizações defendem que doadores conquistados através de brindes são menos leais e doam muito menos do que doadores conquistados através de um apelo normal. 

Mas muitas outras organizações insistem que os testes mostram o contrário: doadores adquiridos com brindes são tão leais quanto os outros. 

Em algumas organizações, o uso intenso de brindes não se limita à aquisição de um doador. Brindes – pingüins de geladeira, calendários, cartões de boas-vindas – são pilares em renovação, pela mesma razão que são usados em prospecção – eles aumentam a resposta. 

O que essas práticas ensinam aos doadores? E quanto as suas atitudes a longo prazo – sentimentos que influenciarão na decisão de continuar a doar ou não? 

Usando brindes para induzir respostas, estamos acostumando os doadores a doarem para receberem algo em troca ou para ajudarem uma entidade filantrópica? 

Mantenha em mente que pesquisas mostram que os melhores doadores são aqueles que se importam com a missão de sua entidade. 

Se seus doadores esperam algo de você a cada doação, o que eles vão estar aprendendo sobre sua missão? 

Agora, uma vez que você é um leitor observador, você já deve ter notado um padrão nessas seis questões: ela refletem minha convicção que o levantamento de fundos em geral – e mala direta em particular – se sai melhor quando aplicado levando em conta o ponto de vista do doador. 

Sim, eu acredito que você vai arrecadar mais dinheiro a longo prazo se você operar seu programa de mala direta construindo relacionamentos com quem paga suas contas. 

E isso só é possível quando você se esforça para comunicar com honestidade, precisão e da maneira mais rápida e eficiente possível com seus doadores.

(Saiba mais aqui)

(fonte de pesquisa: Mal Warwick)